Reformulando o Setor Agrícola para Dietas Sustentáveis e Saudáveis
- EnergyChannel Brasil
- 28 de mar.
- 3 min de leitura
Enquanto a fome muitas vezes domina os noticiários, a desnutrição se espalha silenciosamente, afetando milhões de indivíduos ao redor do mundo. Este problema prejudica não apenas as capacidades físicas e mentais das pessoas, mas também restringe a produtividade, com particular impacto em mulheres e crianças. Em 2022, mais de 20% das crianças menores de cinco anos apresentaram atraso no crescimento, resultando em um aumento da mortalidade e limitando oportunidades futuras.

Simultaneamente, 16% dos adultos enfrentaram problemas relacionados à obesidade, um fator contribuinte para o aumento das doenças não transmissíveis, que agora representam uma das principais causas de morte globalmente.
Os Custos Ocultos da Desnutrição
A desnutrição, que abrange tanto a falta de nutrientes quanto os problemas relacionados ao excesso de peso, não só impacta a saúde das pessoas, mas também gera custos massivos para a sociedade. Estima-se que os gastos ocultos com saúde decorrentes de um sistema alimentar disfuncional alcancem US$ 6,6 trilhões, aproximadamente dois terços do seu valor de mercado. Em 2020, os custos associados ao excesso de peso e à obesidade foram estimados em cerca de US$ 2 trilhões, com projeções apontando um aumento para US$ 4,3 trilhões na próxima década. Tais cifras evidenciam as consequências graves que resultam da desnutrição, tanto para indivíduos quanto para comunidades.
Desafios na Acesso e Preços de Alimentos
As dietas insalubres e os altos preços dos alimentos são identificados como motores principais da desnutrição. As dificuldades em acessar alimentos saudáveis continuam a ser uma realidade, especialmente para famílias de baixa renda e em regiões carentes. A crescente consumpção de açúcares, carnes vermelhas e processadas, em detrimento de grãos integrais, frutas e vegetais, exacerba a situação.
A transição das dietas tradicionais para opções ultraprocessadas é um aspecto crítico do problema. Reconhecendo o aumento das doenças relacionadas à alimentação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) desenvolveram diretrizes dietéticas para promover escolhas alimentares mais saudáveis.
Repensando o Apoio Público para Dietas Mais Saudáveis
Uma análise dos investimentos no setor agroalimentar revela que o apoio público, estimado em mais de US$ 800 bilhões anuais, desempenha um papel significativo na perpetuação desse ciclo de desnutrição. Grande parte desse apoio se concentra em políticas que favorecem os preços de commodities populares, ao invés de promover melhorias em infraestrutura ou pesquisa que beneficiem a sociedade como um todo.
Adicionalmente, as políticas frequentemente priorizam agricultores com maiores recursos, desconsiderando as necessidades de consumidores e agricultores em situações vulneráveis. Essa falta de equilíbrio cria uma desconexão entre as políticas agroalimentares e os objetivos de saúde pública. Por exemplo, em diversos países, o consumo de bebidas açucaradas é tributado, enquanto a produção de açúcar é subsidiada, resultando em maiores níveis de consumo de açúcar que excedem as diretrizes estabelecidas pela OMS.

Caminhos para o Futuro
Diante desses desafios, é essencial reformular o setor agrícola para apoiar dietas mais saudáveis e sustentáveis. A implementação de políticas que favoreçam alimentos nutritivos, a reavaliação do suporte público e uma abordagem que alinhe a produção e o consumo à saúde pública são passos cruciais na luta contra a desnutrição.
Na EnergyChannel, continuaremos a acompanhar essa questão crítica, destacando iniciativas que buscam não apenas melhorar a saúde das populações, mas também garantir um futuro mais sustentável e equilibrado para todos.
Reformulando o Setor Agrícola para Dietas Sustentáveis e Saudáveis
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